Conheça um pouco mais sobre o influencer responsável por personalizar os conteúdos das suas redes sociais
08 jun 2023
Algoritmo – o rei da terra sem lei
Com o aumento do uso das redes sociais em todo o mundo, a questão do controle de conteúdo tornou-se uma preocupação cada vez maior. Com bilhões de usuários ativos em plataformas como Facebook, Twitter e Instagram, o desafio de garantir que apenas conteúdo seguro e apropriado seja compartilhado é enorme. Para lidar com isso, as redes sociais usam algoritmos complexos para controlar o conteúdo que aparece nas linhas do tempo dos usuários.
Um algoritmo é basicamente um conjunto de instruções ou regras que são seguidas para resolver um problema ou alcançar um objetivo específico. No contexto das redes sociais, um algoritmo pode ser usado para determinar quais postagens devem aparecer no feed de notícias de um usuário com base em sua relevância, popularidade e outros fatores.
Os algoritmos usados pelas redes sociais para controlar o conteúdo podem ser bastante complexos e envolver muitos fatores diferentes. Segundo Lidiane Christovam, 45 anos, professora de Análise e Visualização de Dados em Comunicação do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Presbiteriana Mackenzie, as redes sociais não são transparentes. Nós, usuários, temos a tendência de acreditar que sejam, mas Lidiane alerta: “A gente não pode esquecer que é um comércio. Eu falo para os meus alunos que, se eles pegarem e lerem os termos de uso do TikTok, nunca na vida eles instalam aquilo no celular. Nos termos de uso, eu aceito dar acesso para o TikTok a tudo dentro do meu celular. Tudo mesmo”.

Lidiane Christovam, professora de Análise e Visualização de Dados em Comunicação | Reprodução: Mackenzie
O TikTok, uma rede social de compartilhamento de vídeos, enfrentou uma série de controvérsias que levaram a sua proibição em vários países. Uma das principais preocupações é a segurança dos dados dos usuários. Alguns países, incluindo Índia e Estados Unidos, alegaram que o aplicativo pode ser usado para espionagem e coleta de dados pessoais de usuários que podem ser usados para fins maliciosos.
A Índia foi um dos primeiros países a banir a rede, citando preocupações com segurança e conteúdo inadequado. O governo norte americano também tentou banir o aplicativo, alegando que o TikTok representava uma ameaça à segurança nacional. Embora o governo tenha recuado nessa tentativa, a plataforma enfrentou várias outras restrições nos Estados Unidos.
A Meta, anteriormente conhecida como Facebook, pode ser citada como um exemplo significativo de como os algoritmos são usados para controlar as redes sociais. Mark Zuckerberg, fundador e CEO da empresa, tem sido um grande defensor do uso de algoritmos para personalizar a experiência do usuário e aumentar o envolvimento na plataforma.
Os algoritmos usados pela Meta são projetados para rastrear o comportamento dos usuários e analisar seus dados para fornecer conteúdo personalizado, como anúncios, notícias e atualizações de amigos. Esses algoritmos têm um grande impacto na forma como as pessoas interagem com a plataforma, desde o conteúdo que veem em seu feed de notícias até as recomendações de grupos e páginas. Por exemplo, o algoritmo do Facebook pode levar em consideração o número de curtidas, comentários e compartilhamentos de uma postagem, bem como o tipo de conteúdo que está sendo compartilhado. Isso pode incluir palavras-chave, imagens, vídeos e muito mais. Muitos críticos argumentam que os algoritmos da Meta podem ter um efeito negativo na sociedade, incentivando a polarização, a desinformação e a propagação de notícias falsas. Por exemplo, os algoritmos da big tech podem mostrar mais conteúdos que apelam para as emoções, como raiva ou medo, em vez de fornecer informações precisas e equilibradas.
No entanto, o controle de conteúdo não se limita apenas a algoritmos. As redes sociais também têm equipes dedicadas de revisores de conteúdo que analisam as postagens e determinam se elas são seguras e apropriadas para a plataforma. Esses revisores podem ser responsáveis por revisar postagens em várias línguas e podem trabalhar em estreita colaboração com equipes de moderação de conteúdo para garantir que apenas conteúdo seguro e apropriado seja compartilhado. “Os dados são todos da gente. Como nós [brasileiros] não damos a mínima, as plataformas fazem o que querem”, diz Lidiane.
Fazem o que querem, inclusive propaganda política. O escândalo da Cambridge Analytica foi um dos maiores escândalos de privacidade de dados da história. A Cambridge Analytica era uma empresa de consultoria política que trabalhava com campanhas eleitorais, incluindo a campanha presidencial de Donald Trump em 2016. A empresa foi acusada de coletar dados pessoais de milhões de usuários do Facebook sem seu consentimento e usá-los para influenciar as eleições.
Embora o controle de conteúdo nas redes sociais seja essencial para garantir que os usuários estejam seguros e protegidos, a questão da censura também pode surgir. Algumas pessoas argumentam que as redes sociais estão censurando o conteúdo de maneira excessiva e que isso viola a liberdade de expressão. Outros dizem que as plataformas não estão fazendo o suficiente para controlar o discurso de ódio e outros tipos de conteúdo prejudicial.
“Vamos pensar [no algoritmo] como uma criança. Se eu, o tempo todo, estímulo um determinado repertório, eu estou limitando ela àquele universo. É o que a gente vai chamar de ‘bolhas’. Então, por que pra determinadas bolhas a fake news é muito mais impregnada do que pra outras? Porque o algoritmo vai aprendendo aquilo que você tem interesse e vai formando um círculo, uma bolha, que você fica a par de todo o resto. Aí que tá o grande problema, né? A gente tá pensando nas redes sociais mais comuns como Instagram e Face, mas não, até em relacionamentos. Se você pegar o Tinder, na tua timeline só vão aparecer aquelas pessoas que são próximas àquela que você deu match em algum momento. Olha como o algoritmo é invasivo: ele está manipulando a minha vida amorosa. Quer dizer que você pode não estar encontrando seu grande amor, porque o algoritmo do Tinder resolveu que não vai te dar”, explica Lidiane.

Os algoritmos controlam o que chega até nós via internet | Reprodução: Jornalismo Júnior
O controle de conteúdo nas redes sociais é um equilíbrio delicado entre proteger os usuários e garantir a liberdade de expressão. Mesmo que os algoritmos e as equipes de revisão de conteúdo possam ser eficazes para controlar o conteúdo, é importante que as redes sociais encontrem um equilíbrio adequado entre segurança e liberdade de expressão para garantir que todos os usuários possam desfrutar de uma experiência positiva e segura nas plataformas de mídia social.
“O primeiro passo é ter consciência de que não tem ‘almoço grátis’. Se não tem almoço grátis, eu tenho que saber o que estou dando [em troca dos benefícios das redes gratuitas]. Para saber o que eu estou dando, eu tenho que ler os termos de uso e tenho que cobrar. A Lei Geral de Proteção de Dados não é perfeita, mas ela é um início”, aponta a professora.
∗ Título e linha fina feitos por Fernanda Bozzato.