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Inclusão em ação

Região metropolitana de São Paulo abriga referências no cuidado de pessoas com deficiências

Escrito por

Ana Carolina

Publicado em

17 abr 2023

São Paulo é o estado mais populoso do país. Segundo o IBGE, são estimados 46 milhões de habitantes. Desses, ainda segundo o Instituto, cerca de nove milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência. Com tantos paulistas com necessidades especiais, São Paulo tem a missão de levar para todos os seus 645 municípios os mesmos tratamentos da metrópole.

No dia 2 de abril foi comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Paula Santiago é dona de casa e tem 39 anos. É mãe de Davi, de 14 anos, autista. Moradora de São Vicente, enfrenta o maior desafio que é encontrar serviços, tratamentos e profissionais gratuitos na região: “O Davi frequentou a APAE São Vicente e o CAPS da prefeitura de São Vicente. Mas, conforme não foi obtido o desenvolvimento, eles praticamente tiraram meu filho do sistema. Falaram que eu teria que procurar outro lugar, no qual ele se desse melhor com as crianças, por ele ser uma criança difícil de se enturmar”, afirma Paula. Ela completa: “resolveram fazer uma reunião e tirar o Davi da APAE e da CAPS. Aí, entraram em contato com essa clínica [Clínica Matheus Alvares], que o convênio cobria, mas tivemos que entrar na justiça, com advogado, para poder conseguir colocar a criança, pelos seus direitos de autismo”.

Localizada na cidade de Guarulhos, a instituição Casas André Luiz, sem fins lucrativos, atua há mais de 65 anos no cuidado de pessoas com deficiência. “O objetivo é a deficiência intelectual, mas a maior parte dos pacientes também têm alguma deficiência motora associada, o que acaba dificultando e encarecendo o atendimento, por ter vários tipos de tratamentos e profissionais para dar uma qualidade de vida melhor ao assistido”, diz Maria Moreira, 54 anos, que atua no relacionamento com o doador na André Luiz. Com mais de 535 pacientes internos e 2.500 atendimentos diários no ambulatório, os tratamentos são realizados por uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, pedagogos e outros profissionais.

Edite prova que a arte do crochê não tem limites | Foto: Ana Carolina Maciel

A instituição tem a guarda de todos os residentes, por não poderem contar com o apoio dos familiares. Logo que os assistidos chegam, passam por atendimento com psicólogos, neurologistas e fazem uma bateria de exames para avaliar suas necessidades.

A equipe de 1600 funcionários oferece uma variedade de serviços e tratamentos que são adaptados para cada paciente. Para os assistidos que não têm comunicação verbal, é feita a Comunicação Suplementar Alternativa, utilizando pranchetas autodidáticas com ilustrações, leitura labial e libras. Há atividades como pintura, desenho, terapia ocupacional, eventos e música que estimulam os pacientes. Apesar dos desafios por ser uma instituição filantrópica, é contínua a luta para trazer um atendimento de qualidade para quem precisa. Como prova disso, o relacionamento dos assistidos com as cuidadoras é de figura materna. A instituição é uma verdadeira família para muitos, oferecendo um lar e uma vida melhor para todos.

Diego pinta como forma de terapia | Foto: Ana Carolina Maciel

A organização mais conhecida no ramo é, com certeza, a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), que tem oito unidades no Brasil e cinco em São Paulo. A instituição está incutida no imaginário popular do brasileiro há algumas décadas. Isso graças ao Teleton, promovido pela emissora SBT todos os anos.

A entidade tem como uma de suas propostas a autonomia dos pacientes por meio da terapia ocupacional. Com cerca de 120 mil atendimentos por ano, o hospital tem um movimento intenso e um ambiente adaptado para receber os pacientes. A sinalização no teto, no chão e as paredes coloridas têm o objetivo de fazer com que todos sintam-se acolhidos e possam se localizar melhor no espaço. Cada cor representa um setor diferente: azul para adultos, laranja para crianças, amarelo para ortopedia e vermelho para o centro médico.

A AACD oferece reabilitação externa e interna, incluindo apoio psicológico para os pais, o que consequentemente auxilia no tratamento dos filhos. O hospital atende cerca de 20% de pacientes privados e 80% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo que é possível receber o tratamento pela AACD por encaminhamento médico ou convênio, se estiver contemplado no plano. Todos os pacientes recebem o mesmo atendimento humanizado, independentemente da forma de acesso aos serviços oferecidos.

“Dependendo do caso, há pacientes que só vão para o hospital para realizar algum procedimento e tem a reabilitação que, dependendo da decisão da equipe clínica, pode ser algo contínuo”, diz Nicholas Gounaris, 26, do departamento de marketing da AACD, quando perguntado se os pacientes se mantêm internados na entidade.

 

∗ Texto feito em dupla com Priscilla Salles.

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