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Eu consigo voar!

Texto nota 10 feito para a disciplina Gramática, Interpretação e Redação Jornalística

Escrito por

Ana Carolina

Publicado em

18 abr 2023

Mais uma vez, como em todos os dias, meu irmão tagarelava sobre sua verdadeira identidade: dizia ele que era um super-herói.

Davi e eu estudávamos juntos na época em que ele acreditava que vestir a cueca por cima da calça seria sinônimo de estilo. Na escola, a vergonha de chegar com o “super-cuecão” era inevitável. Davi sentia que podia chegar ao céu. Já eu pensava que, naquele ritmo, estava no inferno.

Me lembro até hoje daquele fatídico 23 de maio. O bobão corria pelos corredores do colégio como se não houvesse amanhã. Eu assistia. Tentei impedir, mas qual o raio de irmão mais novo que obedece o mais velho? Dessa raça ainda não conheci. Ele estava lá, quase voando. Quase. Se não fosse pela parede que o encontrara logo a frente.

Davi conseguiu uma belíssima fratura exposta, após correr, tropeçar em um degrau e “voar” contra a parede (cair com estilo, como diriam em Toy Story). Meu irmão ficou paralisado e logo o levamos ao hospital, onde fez a cirurgia para operar o braço.

Quando acordou, avistou minha mãe ao seu lado, que estava só esperando com que despertasse para tecer aquela bronca. Eu também não deixei de graça. Porém, fui logo interrompida quando o super cuecão me chamou para perto e disse:

– Você viu, Ana? Eu disse que podia voar. Agora só preciso aprender a pousar.

É. O idiota realmente acredita que voou. A inocência burra de criança o fazia encarar aquela internação como se fosse nada. Era tudo brincadeira, e talvez esse fosse seu super-poder. Tomara que o cuecão jamais cresça. Não trocaria essa besteira infantil por nada nesse mundo.

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