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Dose Tripla – Conheça as relações de Fernanda Concon

Fernanda nas redes sociais, atriz e estudante de relações internacionais: conheça um pouco mais sobre essa dose tripla de relações da vida de Fernanda Concon

Escrito por

Ana Carolina

Publicado em

08 jun 2023

Fernanda Concon é uma atriz, apresentadora, influencer e estudante de relações internacionais pela PUC-SP. Você já deve ter visto ela por aí, seja como Alicia Gusman na telenovela “Carrossel”, como Laís no longa “Confissões de uma Garota Excluída”, em seus vídeos que viralizam na internet sobre sua rotina ou em sua mais nova empreitada, como host do podcast Sem Nome Pode, ao lado da também atriz Klara Castanho.

Em meio ao show de versatilidade, no auge dos seus 20 anos, Concon é uma das promessas da mídia jovem no Brasil. Confira na íntegra a entrevista cedida para a 16ª edição da WHIZ!

WHIZ: Recentemente você comentou na sua entrevista para Forbes que parte da vontade de fazer intercâmbio e escolher a universidade de Coimbra, em específico, veio do foco que eles têm em estudos relacionados à paz e segurança. Por que o assunto segurança e dinâmicas da paz e dos conflitos, segurança no Brasil, é um tema que chama a sua atenção? De onde surgiu o interesse por esse assunto? 

Fernanda Concon: Eu nasci e cresci em um bairro famoso por aquela foto que de um lado tem aquele prédio com uma piscina por apartamento e do outro a gente tem a comunidade de Paraisópolis. A curiosidade sobre segurança sempre foi muito intrínseca a mim. O meu pai a vida toda foi professor de escola pública e eu cresci com a minha mãe falando que o bairro era perigoso. Acho que no subconsciente isso também foi plantando uma curiosidade para muito além de um discurso combativo à criminalidade, e ela é que me levou a um lugar de compreender essas dinâmicas. Para entender, por exemplo, porque as ações da polícia militar aconteciam dentro das comunidades. Eu acho que isso foi plantando uma sementinha na minha cabeça que eu só fui descobrir, na verdade, quando eu estava na universidade. 

Edifício Penthhouse com varandas sobre Paraisópolis | Reprodução: SkyscraperCity

WHIZ: Você entrou no curso de relações internacionais com a intenção de diplomacia, mas você vem dizendo que hoje está mais voltada para o jornalismo internacional. Isso vem com essa questão social que você já está toda envolvida?

Fernanda Concon: Eu acho que todo mundo que faz relações internacionais entra muito com o sonho da diplomacia, do trabalho com a ONU. A gente entra pensando que a ONU vai resolver tudo. Acho que a gente perde um pouco desse ânimo das instituições internacionais e dessa distopia ao longo da faculdade. Eu acabei me interessando muito, primeiro pelo jornalismo internacional, que junta duas faces minhas: a comunicação, que é todo o meu trabalho de atriz, das redes sociais, e também a face das relações internacionais. 

WHIZ: Nós vimos o quanto a desigualdade foi escancarada durante o período da pandemia e você comentou sobre um trabalho que teve muito orgulho de fazer, a respeito de  um recorte de gênero, raça e classe na pandemia, “Por que pretos, pobres e mulheres vão morrer mais na pandemia?”. Como foi pra você fazer esse trabalho? O que você pôde tirar de aprendizado desse trabalho? 

Fernanda Concon: Durante todo o ensino médio, eu realmente vivi em uma bolha. Ainda que eu escutasse as histórias do meu pai, da rede estadual, eu ainda não tinha um contato profundo sobre tudo isso. Eu lembro que quando a minha professora indicou essa matéria no jornal, no começo da pandemia do Covid-19, ela me chocou muito, porque a gente escuta desde criança na escola que o racismo existe, que mulheres sofrem assédio, etc. Mas a gente não tem ligações entre os assuntos, né? Eu lembro que foi a primeira matéria em que eu li e eu entendi o porquê mulheres morrem mais, pessoas pobres morrem mais. E aí, só no meu quinto semestre, eu tive uma disciplina sobre gênero, raça e classe, onde eu tive um embasamento um pouco mais teórico. Então, acho que hoje é muito difícil que eu não tenha essas intersecções no meu olhar quando a gente vai falar sobre qualquer questão. Quando falamos de tráfico de drogas, um dos meus propósitos era tentar desmistificar justamente essa questão de que, ‘pô’, não estamos falando só de traficante preto da favela. Na verdade, é sobre gente branca, de empresa legal. Eu queria, na verdade, mostrar que os nossos maiores vilões não são essas pessoas, mas sim muita gente que mexe com dinheiro legal, que tá ganhando dinheiro de forma legal, se escondendo atrás de uma base muito maior.

WHIZ: Durante um momento da sua graduação, você fez parte de uma empresa júnior, a Prisma. Como também fazemos parte de uma empresa júnior, a gente gostaria de saber um pouco mais sobre a sua experiência lá, como isso te ajudou a expandir os seus conhecimentos.

16ª edição da revista WHIZ | Foto: arquivo pessoal

Fernanda Concon: O mundo corporativo nunca foi uma opção pra mim. Só que eu tinha acabado de entrar na faculdade e estava com muita vontade de experimentar. Eu acho que é uma boa dica, inclusive, aproveitar os primeiros semestres para experimentar tudo: é fazer parte da atlética, de empresa júnior, porque é assim também que você vai maturando o que você gosta. Eu tenho muitos amigos que trabalham hoje com as mesmas coisas que eles trabalhavam na empresa júnior e isso foi super decisivo para entrar numa empresa. Ainda que eu não gostasse do mundo corporativo, eu achava que era uma boa nova experiência, não custava tentar. 

Eu acho que a universidade é muito mais do que você cursar o curso, é a experiência universitária, é ir para bar, é ir para festa, é ir para jogos. Eu acho que, inclusive, na universidade, você vai ter contatos importantes que você vai levar para o resto da sua vida. Então, durante a pandemia, a Prisma foi esse meu contato ativo com a experiência universitária que eu não podia ter presencialmente. Aprendi muito na marra, mas o que eu levo, com certeza, com mais carinho, foi a experiência universitária, ainda que no modo remoto. Óbvio, eu aprendi muita coisa lá dentro também. Aprendi a mexer na planilha do Excel e em todas aquelas ferramentas do Google.

WHIZ: Quais áreas tinham na Prisma? Você falou que achava que não ia passar no processo seletivo. A área que você entrou, era a que gostou? 

Fernanda Concon: Foi minha segunda opção, mas eu já acredito que foi a melhor possível. Quando eu fiz o meu processo seletivo, eu coloquei que a minha primeira opção era trabalhar com negócios, da parte de vendas. Mas eu era meio leiga, eu não sabia do que eu estava falando. Só que quando falava “negócio”, eu achava mais chique. E aí eu comecei com a segunda opção, comunicação. E hoje eu vejo que comunicação faz muito mais sentido. Eu estava na gerência de marketing, então eu pensava mais em estratégias, redes sociais e aprendi muito sobre isso também, um pouco mais na prática, um pouco mais sobre os bastidores do meu próprio trabalho. Trabalho, porque eu, como influenciadora, espero muitas companhias de redes sociais. Muitas vezes, eu me via treinando como papel da publicitária, como a menina do marketing, que ficava, tipo: “gente, postagem! Gente, legendas! Cores da empresa!”, tá ligado? Eu me sentia muito a menina do marketing e eu adorava meu trabalho lá dentro.

WHIZ: Sobre internet, como é que você lida com tanto ódio nas redes sociais e com essa cobrança, às vezes, de forma excessiva? Se você sente isso, ainda mais com as pessoas te colocando em um nicho como “ah, é muito sensata, inteligente”. 

Fernanda Concon: Eu gostei que você tocou nesse ponto, porque normalmente as pessoas perguntam muito sobre o ódio, né? Ninguém sabe lidar super bem com comentários ruins, isso é um fato. Eu acho que é a parte mais fácil de ignorar. Quando a gente vê que é um comentário que a pessoa escreve errado, anônimo, é mais fácil de ignorar. Mas eu acho que a expectativa que me foi colocada, foi uma coisa que mexeu muito com a minha cabeça. Ao mesmo tempo que eu agradeço muito aos elogios que me falam, e eu sou muito grata por todo o carinho e por todas as pessoas que se inspiram em mim e admiram minha trajetória, o meu trabalho, isso mexe também um pouco com a cabeça. Eu sou uma pessoa que me cobro muito e, acima de tudo, sou muito ansiosa. Então, se eu sinto que não está perfeito, eu deixo de fazer. Para mim, ou eu faço incrível ou eu não faço. E não só isso, ainda que eu ache que fiz da melhor forma possível, eu vou ficar passando e repassando para ver se tem alguma coisa que as pessoas vão falar, ou que está errado, ou que eu errei. “Será que eu falei errado? Será que eu gaguejei? Será que aquela palavra não faz sentido? Será que eu falei de forma clara?”. 

Isso foi uma cobrança muito grande durante os meus conteúdos. Eu acho que até hoje é uma coisa que me impede muito de produzir mais coisas, porque eu me vejo neste limbo de “quero produzir, quero fazer”, mas não sei se vai estar perfeito à altura de outras coisas que eu já fiz. Eu acho que muito mais do que hate, é algo que eu tô aprendendo a lidar. Eu tenho, ‘pô’, 16 anos de carreira, mas eu ainda não consigo lidar muito bem. E é um processo, é meu trabalho. Eu, quando era mais jovem, tinha uma tendência muito pior a responder e dar palco para tudo isso. Eu lembro que ficava muito mais ansiosa e queria resolver, eu queria responder. Aí eu acabava dando muito mais atenção para aquela pessoa do que ela merecia, no final das contas, do que no final só deixar quieto. E eu aprendi isso, é uma coisa que eu levo muito do meu coração. Eu escutei uma vez de uma amiga, a Klarinha, que hoje tá fazendo podcast junto comigo, que falou algo como “você está vendo aquele comentário, porque ele foi feito para você. As outras pessoas que estão ali comentando, você acha que elas sobem comentário por comentário para ler o que as outras disseram na sua foto?”. Tipo assim, gente, as pessoas não têm tempo. Você é que fica vendo o que as pessoas comentam para você, porque você é o centro do seu universo. Mas as outras pessoas não ficam fazendo isso. 

Só uma Rockstar: Alícia • Carrossel

Personagem Alícia Gusman, da telenovela Carrossel | Reprodução: SBT

WHIZ: Falando da nossa amada Alicia, de Carrossel. Por se tratar de uma menina que quebrava os padrões do estereótipo, não necessariamente de um jeito sexualizado, ainda mais em um contexto de um país muito machista e super convencionado na época, como você acredita que o papel da Alicia e a representatividade dela foi importante para as pessoas, principalmente crianças, que acompanhavam a novela?

Fernanda Concon: Toda vez que eu paro para refletir nisso, eu chego nessa pergunta. Quando eu era criança e interpretei a Alicia, eu não entendi a importância dela para outras meninas que eram como ela. São estereótipos que são impostos da nossa vida. Eu não entendi a importância da Alicia, porque eu era uma menina que, além de ter sido criada sobre esses estereótipos de gênero, eu também era uma menina muito feminina. Eu gostava muito mais do que a Maria Joaquina usava do que a Alicia usava. Eu só fui entender a importância dessa personagem depois que fiquei mais velha, depois que eu tive as redes sociais, quando recebi relatos e relatos de meninas que falavam “’Meu’, eu era igualzinha a Alicia e isso foi muito importante para perceber que era super normal que eu gostava de brincar de outras coisas e que não tinha nada a ver com sexualidade, nem nada do que as pessoas falavam”, tá ligado? Eles eram crianças. A primeira coisa é que sexualizar crianças, para mim, já é uma coisa bizarra, né? Tipo, não tem nada a ver. 

WHIZ: A pandemia que ocorreu durante os últimos dois anos afetou drasticamente o entretenimento no geral, desde a parte de produção até a atuação dentro dos sets. Como foi gravar Confissões de Uma Garota Excluída, Mal-Amada e (Um Pouco) Dramática em meio a uma pandemia? Você sentia falta do contato maior entre os atores, companheiros de gravações e elenco? Isso prejudicava muito o ritmo de produção e das cenas?

Fernanda Concon: Eu acho que foi primordial que eu tivesse um trabalho durante a pandemia. Me salvou muito, mentalmente falando. Eu pude sair da minha cidade, sair do meu ambiente, que já tava meio cansativo, e ir pra um lugar novo, fazer o que eu amo. Foi muito especial, por isso que eu guardo “Confissões” com muito carinho. Foi um momento da minha vida onde eu estava no final de um relacionamento, eu já sabia que eu ia acabar terminando. Eu estava ali num momento meio bad, pandemia, estava dentro de casa, então “Confissões” fez muito bem pra mim. E me deu um presente, que foi o meu reencontro com a Klarinha, que era uma menina que eu já conhecia de antes, mas que, hoje, se eu posso falar de todo o nosso projeto, ele nasceu ali. Foi quando a gente se reencontrou, depois de mais velha, viramos amigas, viramos irmãs, nós moramos no mesmo hotel durante 45 dias. Então a gente ria todos os dias, fazia girls night, dava risada 24 horas por dia. É um trabalho que eu guardo com muito carinho. 

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Klara Castanho e Fernanda Concon para divulgação do podcast “Sem Nome Pode” | Reprodução: POPline

WHIZ: No dia 08 de março, Dia Internacional das Mulheres, foi lançado seu podcast, o Sem Nome Pode. Teve algum propósito ali com a data, com a entrevistada, que foi a Maisa, alguma intenção oculta ou só realmente calhou de ser no mesmo dia? 

Fernanda Concon: Na verdade, a gente não tinha pensado nisso inicialmente. As coisas calharam, porque na verdade era para gente ter lançado um dia antes. Só que no final das contas, tudo acontece como o universo quer que aconteça. Foi maravilhoso! Calhou super, a gente estava em três mulheres. Três mulheres fortes, né? Que cresceram em frente às câmeras. A galera teve uma receptividade muito bacana ao nosso projeto. Foi um projeto que eu e a Klarinha desenvolvemos desde o início, desde agosto do ano passado. Então teve muito chão para gente chegar hoje. Tivemos muitas reuniões longas, muitas conversas, muitas ligações, etc. Ficamos muito felizes com o primeiro episódio. A galera também está reagindo super bem e a gente está pelo caminho certo também. O que eu tenho pra dizer, é que podem esperar muito, conversas muito legais. A gente já tem mais da metade dos episódios gravados com convidados incríveis, papos muito cabeça, papos mais descontraídos. Eu tenho certeza que a galera pode acompanhar toda quarta-feira a partir de agora. 

WHIZ: “Sem Nome Pode”? De onde surgiu? 

Fernanda Concon: Eu tenho quase certeza de que foi uma brincadeira minha, porque a gente estava num quebra-cabeça mesmo para escolher um nome. Estávamos numa dessas reuniões que a gente fazia, estudo dos temas, convidados, estruturar o podcast, e a gente estava meio que zoando, fazendo algumas brincadeiras. “Imagina, tipo ‘Eu Não Quero Saber Pode’?”, uma coisa bem zoeira mesmo. Não tinha nenhum propósito. Eu acho que eu falei na época “Imagina, sei lá, ‘Sem Nome Pode’?”. Isso deu origem à nossa abertura, que é maravilhosa “Nós não temos um nome, mas nós temos um podcast, que é o que importa”. 

WHIZ: Como vai funcionar a dinâmica do podcast em si? Vão ser apenas entrevistas, como a maioria dos mesacasts que estão no  mercado? Eles vão ter temas específicos? Vocês pretendem convidar pessoas especializadas para poder falar sobre temas específicos do programa? 

Fernanda Concon: A diferença dos outros podcasts do mercado é isso, a gente não quer se concentrar em pessoas, mas em temas. Então, nossa ideia não é explorar pessoas, é o trabalho. Claro, é importante, é um aval de quem a gente convida ou não convida. Mas o foco é explorar temas que nós consideramos importantes, porque o nosso podcast não é só querer que as outras pessoas aprendam, que agregue, que seja interessante, que democratize acesso de certa forma, mas que a gente também aprenda. Por isso a importância de serem temas que eu e a Klara gostamos muito. A gente tem um tema por episódio. O da Maisa foi sobre crescer em frente às câmeras, e agora nós temos outros episódios que falam sobre, por exemplo, universo LGBT, falando sobre indústria cinematográfica, falamos sobre imigração também. São temas que, sim, nós temos convidados especializados no assunto e que eu acho que é um grande diferencial, né? Que agrega muito. Acho que está aí a diferença do nosso podcast. 

WHIZ: Posso te fazer um pedido? 

Fernanda Concon: Claro! 

WHIZ: Tira um BeReal com a gente?!

Registro da entrevista. Da esquerda para direita: Lucas Henrique, Ana Carolina e Fernanda Bozzato. Acima, Fernanda Concon | Foto: Fernanda Bozzato

∗ Entrevista realizada em parceria com os colegas Lucas Henrique Santos e Fernanda Bozzato

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