Primeiro episódio do podcast “Samba Enredo Podcast”, disponível no Spotify e Castbox
19 dez 2023
[MÚSICA]
Chorinho instrumental.
[LOCUÇÃO]
O ano era 1908. Um Rio de Janeiro fragilizado via o samba como um bebê a ninar em seu berço cultural, sem saber que seria símbolo de resistência no Brasil e no mundo, popularizado por um dos maiores compositores da nação. Mas a história não começa aí.
No século XIX, a palavra “samba” já era usada para se referir às rodas de danças praticadas pelos africanos escravizados em culto aos orixás. 20 anos antes do ponto de partida da nossa história, Isabel de Bragança e Bourbón assinava a Lei Áurea, que dava liberdade a esses mesmos escravizados, cujo único crime estava impresso na cor de suas peles.
Com a liberdade, milhares de afro-brasileiros se encontravam no Rio de Janeiro, capital do país recém-proclamado República Federativa, com esperança da sobrevivência e dias melhores. Nesse vai e vem de migração, o samba de roda baiano chegou ao sudeste. O Rio se tornou o lugar ideal para que florescesse, em um Brasil sem correntes, a cultura que viria a ser patrimônio nacional.
Como eu disse, o fluxo migratório no Rio de Janeiro foi se tornando cada vez mais intenso e foi ganhando fama de “cidade em que as pessoas padeciam de doenças”. Com isso, a descolonização recente ainda carregava suas raízes: informação para a elite, danem-se os pobres e morram os pretos. Nessa lógica, a gente chega em 1904 com a revolta da vacina obrigatória de Oswaldo Cruz, aquela que erradicou a varíola, mas não avisou a galera. A quantidade de pessoas mortas e enviadas para outros lugares acabou não ficando só marcada em dados clínicos, mas a música fez registro de cada momento.
E é com esse contexto todo de “prende o preto, solta o preto e mata o preto”, que voltamos para 1908, no segundo ano de mandato de Afonso Pena. O Rio de Janeiro sem sinal de varíola e grandes sinais de pobreza. Numa ruazinha do Catete, seu Sebastião e dona Aída – como todo mundo na época – ainda não tinham televisão. Foram oito filhos. Desses oito, o primogênito, que foi registrado com o nome errado e só descobriu na hora de se casar pela segunda vez, se tornou um dos maiores símbolos do samba no Brasil. É seguro dizer que suas músicas foram regravadas centenas, senão milhares de vezes ao longo das décadas.
Quando menino e depois de se mudarem para Laranjeiras, o primogênito, com seus nove anos, passou a tocar o cavaquinho dado pelo pai. Ali que Agenor de Oliveira, ainda sem correção, se envolveu nos ritmos, acordes e batuques.
Talvez você ainda não tenha ligado “lé com cré” quando eu disse “Agenor de Oliveira”. Afinal, que famosíssimo sambista é esse com um nome tão qualquer? Calma, meu bem. Talvez as coisas fiquem mais claras agora e você entenda o motivo desse círculo todo.
Com a pobreza que assolava todo o Rio de Janeiro, mais uma mudança: em 1919, aos 11 anos, se mudaram para o Morro da Mangueira. É, Mangueira.
[MÚSICA]
“Fiz por você o que pude” – voz de Paulinho da Viola
[LOCUÇÃO]
Pode ser que você já tenha escutado uma infinidade de músicas falando de Mangueira – quase todas escritas pelo nosso objeto de estudo.
Na adolescência, depois da morte de sua mãe, largou os estudos e foi trabalhar como pedreiro. Aí que vem o nome que mata a charada: para que não caísse cimento nos olhos, usava um chapéuzinho para proteção. Foi nesse ato tão mínimo do dia a dia que nasceu o mestre Cartola, um dos responsáveis por popularizar o samba urbano carioca como ritmo, logo de início, à época da expansão da radiodifusão no Brasil.
[MÚSICA]
“Fiz por você o que pude” – voz de Cartola
[LOCUÇÃO]
Nessa fase dos anos 20, o Rio de Janeiro passava pela experimentação das primeiras escolas de samba. Cartola, também aos 20, não fizera diferente. A infinidade de músicas falando de Mangueira, como eu comentei, vem daí: o lugar, que já era conhecido como um reduto do samba, também ganhou sua própria escola. Em 1928, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira foi criado por Cartola, Seu Saturnino, Bolinha, Carlos Cachaça, Zé Espinguela, Seu Euclides, Seu Maçu e Pedro Paquetá.
[MÚSICA]
“Os Meninos da Mangueira” – Ataulpho Alves Júnior
[LOCUÇÃO]
O próprio Cartola sugeriu que as cores fossem verde e rosa, por conta de um antigo rancho em Laranjeiras, onde tinha lembranças de infância.
Com o sucesso da escola de samba da Mangueira, Cartola se tornou conhecido por figurões como os cantores de rádio Mário Reis e Francisco Alves, o sambista e poeta da Vila, Noel Rosa e o maestro Heitor Villa-Lobos. Em 1936, enquanto Vargas mandava e desmandava na zona que estava a presidência brasileira, sua música “Não Quero Mais Amar a Ninguém”, em parceria com o amigo Carlos Cachaça e Zé da Zilda, recebeu prêmio no desfile da escola, e um ano depois foi gravada por Aracy de Almeida.
[MÚSICA]
“Não quero mais amar a ninguém” – Aracy de Almeida
[LOCUÇÃO]
Mestre de harmonia da Estação Primeira, Cartola vendia seus sambas, mas nunca abria mão da autoria.
E foi com essa canetada que Cartola sentenciava sua partida de Mangueira. A música era dedicada para Deolinda, sete anos mais velha e sua primeira esposa. Eram vizinhos, ela já era casada e tinha uma filha. Os dois resolveram morar juntos em um barraco com lugar para a filha e o pai de Deolinda. Com o passar do tempo, a casa passou a receber mais moradores, e um dos mais constantes era justamente Noel Rosa, nas noites em que enchia a cara ao lado de Cartola. Deolinda morreu.
[MÚSICA]
Chorinho instrumental.
[LOCUÇÃO]
E agora o viúvo esticava sua quarta-feira de cinzas por alguns bons anos.
[VINHETA]
[Voz feminina acompanhada de instrumentos de escola de samba]
Você está escutando o Samba Enredo Podcast, um programa que apresenta história em música popular.
[MÚSICA]
Chorinho instrumental.
[LOCUÇÃO]
Depois de sair do morro, Cartola ficou em sumiço por cerca de uma década. Enquanto ninguém sabia o paradeiro do fluminense de coração, a nação inteira fervia com a novidade da bola.
[MÚSICA]
“Hino do Scratch Brasileiro” – João Goulart
O Brasil sediou a Copa do Mundo de Futebol pela primeira vez, em 1950. Mas, como se já não bastasse o desaparecimento de Agenor, ocorreu o famoso “Maracanazo”: 2×1, e os uruguaios nos calaram em nossa casa.
[ÁUDIO]
– Antônio Cordeiro: Aproxima-se do gol do Brasil e atira! Goool do Uruguai! Ghiggia! Marcou o juiz apitando o final da peleja: uruguaios campeões mundiais de futebol de 1950.
[LOCUÇÃO]
Cartola foi riscado do mapa de tal forma que muitos pensaram que tivesse morrido. Mas, na verdade, uma figura importante para o samba que realmente partiu nessa fase foi Carmen Miranda, aos 46 anos, uma das primeiras cantoras a gravar suas composições.
[MÚSICA]
“Tenho um novo amor” – Carmen Miranda
[LOCUÇÃO]
Fora do samba, Cartola foi lavador de carros e vigia de edifícios. Era esse o seu ofício, em meados dos anos 50, num edifício em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. Numa noite de 1956, em que resolveu beber um café num botequim próximo ao edifício onde trabalhava, encontrou o escritor Sérgio Porto, que de cara o reconheceu: “Ei! Você não é o Cartola da Mangueira?”, “É, sou sim”. Ao ver o compositor naquele macacão, molhado e sem parecer muito saudável, o escritor decidiu ajudá-lo. O reencontro com Sérgio Porto foi definitivo para a retomada de sua carreira como músico e compositor. E em 1958, para homenagear o seu retorno, a Seleção Brasileira ergueu a taça de campeão do mundo pela primeira vez.
[MÚSICA]
“A taça do mundo é nossa” – Titulares do Ritmo
[LOCUÇÃO]
Em 1952, quando ainda vivia o autoexílio da Mangueira e da música, Cartola reencontrou uma velha conhecida de infância.
[MÚSICA]
“Nós Dois” – Carlos Galhardo
[LOCUÇÃO]
Euzébia Silva do Nascimento, a Dona Zica, acabou virando seu grande amor e serviu de inspiração para essa canção que você ouve de fundo, na interpretação de Carlos Galhardo.
Foi no momento de selar a união que descobriu-se a grafia errada de seu nome: para não ter todo o trabalho de arrumar, passou a assinar como “Angenor de Oliveira”. A união de Dona Zica e Cartola deu certo não só no campo afetivo. Entre 1963 e 1965, o casal tocou um restaurante que fez sucesso ao misturar dois ingredientes fundamentais: ótima comida e excelente música ao vivo. Com Zica à frente da cozinha e Cartola no comando da programação musical, o Zicartola ficava no centro da capital fluminense e virou – logo no início da ditadura militar – um ponto de encontro de sambistas, jovens universitários, intelectuais e outros grupos.
Mesmo com o espaço pequeno, centenas de pessoas se apertavam no salão para comer bem e ouvir o trabalho de mestres – como Carlos Cachaça, Elton Medeiros, Hermínio Bello de Carvalho, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento e Zé Kéti – e de outros novatos do samba. Ou novatos que se tornariam mestres: foi no palco do Zicartola, por exemplo, que o jovem Paulinho da Viola recebeu seu primeiro cachê, como contou em entrevista no talkshow Conversa com Bial.
[ÁUDIO]
– Pedro Bial: Você ia lá tocar e um dia o Cartola virou pra você?
– Paulinho da Viola: É, um dia o Cartola chegou pra mim e falou: “Poxa, você vem aqui toda noite, toca, acompanha, trabalha e tudo…”, aí me deu o que eu considero o meu primeiro cachê. Ele disse assim: “Olha, isso aqui é pra sua passagem”. Eu levei um susto, porque, pra mim, eu era bancário e tava ali me divertindo.
[LOCUÇÃO]
Foi no Zicartola, desafiado pelo amigo Renato Agostini, que Cartola compôs com Elton Medeiros, em cerca de 30 minutos, o samba “O sol nascerá”, que se tornaria logo um sucesso e, anos mais tarde, um clássico.
[MÚSICA]
“O Sol Nascerá (A Sorrir)” – Jair Rodrigues
[LOCUÇÃO]
No final das contas, o Zicartola acabou morrendo depois de dois anos de existência. Não por causa da ditadura, que você pode ter pensado, apesar de o endereço da Rua da Carioca ter se firmado como um espaço de resistência cultural ao golpe civil-militar, um local onde se reuniam opositores do regime, como Sergio Cabral, Ferreira Gullar, Vianinha, Fernando Pamplona e Teresa Aragão. O principal motivo do fim do Zicartola foi a dificuldade do casal em manter a administração da casa. Sabiam muito sobre samba e comida, infelizmente nem tanto sobre como gerenciar um restaurante.
[MÚSICA]
Chorinho instrumental.
[LOCUÇÃO]
Em 68, quando o casal já havia perdido o restaurante, o ministro Macedo Soares e o então governador do Rio, Negrão de Lima, conseguiram que o Estado doasse um terreno na Mangueira para que Cartola, finalmente, construísse sua casa própria, justamente no morro que morava em seu coração. E foi Cartola, no alto de seus 60 anos, quem construiu a casa tijolo por tijolo. Assim surgiu o endereço que se tornou o mais conhecido do Rio de Janeiro: Rua Visconde de Niterói, 896. Foi na janela desta casa que Cartola e Zica posaram para o segundo LP do cantor.
[MÚSICA]
“O mundo é um moinho” – Cartola
[LOCUÇÃO]
Em 1974, graças ao trabalho realizado pela gravadora Marcus Pereira e pelos esforços do famoso Pelão, que produziu o disco, Cartola gravou o seu primeiro LP. Nesse mesmo ano, época ainda de ditadura, o Brasil enfrentava a pior epidemia contra a meningite de sua história. A doença até assolou o cantor em 1946, mas conseguiu se recuperar. Agora com saúde, muitas das canções imortalizadas nas vozes de outros intérpretes, finalmente foram conhecidas pelo grande público na maravilhosa voz do seu compositor.
[MÚSICA]
“Alvorada” – Cartola
[LOCUÇÃO]
Pela necessidade de compor cada vez mais, Cartola deixou a Mangueira em 1978. Lá no morro sempre tinha visita, o que atrapalhava o mestre na sua concentração para compor seus sambas. O casal mangueirense, que manteria o morro em seus corações, optou por residir na região tranquila de Jacarepaguá. Nesta casa, foi realizada uma grande festa de 70 anos para Cartola. Mas as comemorações não pararam por aí, um quarto LP foi preparado também no mesmo ano.
[MÚSICA]
“A cor da esperança” – Cartola
[LOCUÇÃO]
A partir daí, as coisas desandaram para Angenor.
[MÚSICA]
Chorinho instrumental.
[LOCUÇÃO]
No final da década de 70, a saúde de Cartola foi se fragilizando e internações se tornavam cada vez mais frequentes. Em 1977, o sambista teve identificada a doença que leva milhares dos nossos, anônimos e famosos, sem fazer distinção de cor, classe ou credo: um câncer. No caso de Cartola, câncer na tireoide. A notícia foi tão dolorosa para o compositor que rendeu um dos seus poemas mais fortes: “Anjo mau”.
[LEITURA DO POEMA]
[Voz masculina acompanhada de fundo musical, introdução da música “Preciso me encontrar”, de Cartola]
“Eu queria que Jesus
Um dia a terra voltasse
Mas temo que muita gente
Na cruz de novo o pregasse
De que cratera saístes
Em que lodaçal brotastes
Porque fizestes tão mal
Nos lugares que passastes?
Porque este olhar satânico
Que força mal te conduz
Eu noto ficas em pânico
Quando deparas a cruz
Porque disfarças um sorriso
Quando vês alguém no leito
Em bom som dizes coitado
Depois sussurras bem feito
Porque não foges p’ras trevas
Igual um cão acuado
Embrenha-te no infinito
E deixa-nos sossegado”
[LOCUÇÃO]
Operação feita e o problema retorna dois anos depois. No começo de 1980, uma nova internação, desta vez ocasionada por uma hemorragia digestiva. Recuperado, comemorou o aniversário de 72 anos, mas em novembro o poeta mangueirense voltou a ser internado e desta vez não resistiu.
Cartola faleceu dia 30 de novembro de 1980, no Rio de Janeiro, aos 72 anos. Seu corpo foi velado no Palácio do Samba, a quadra da Estação Primeira de Mangueira. Na ocasião, as principais escolas de samba cariocas mandaram seus estandartes para fazer companhia ao manto verde e rosa.
[MÚSICA]
“Pranto de poeta” – Cartola
[LOCUÇÃO]
Infelizmente, mestre Cartola não viveu o suficiente para assistir a fundação do lugar onde a Primeira de Mangueira exibiria seus trabalhos até os dias de hoje. Em 1984, o famoso Sambódromo foi inaugurado no Rio de Janeiro como o local onde ocorrem os desfiles das escolas de samba durante o Carnaval. Tempos depois, o Museu do Samba nasceu como Centro Cultural Cartola, fundado em 2001 pelos netos de Cartola e Dona Zica, lideranças da comunidade onde a instituição está sediada, na cidade do Rio de Janeiro.
As homenagens póstumas acontecem ainda esse ano. Esse podcast está sendo gravado um mês após a comemoração do 115º aniversário de Cartola. Em reverência, o Fluminense, time de coração do sambista, lançou sua terceira camisa com as cores verde e rosa e as letras das músicas estampadas por todo o uniforme. Em vídeo para o canal do YouTube do Fluminense, o filho Ronaldo Silva de Oliveira se emociona ao falar da homenagem.
[ÁUDIO]
– Ronaldo de Oliveira: Eu confesso pra vocês, conhecer ele a fundo e saber da história dele com o Fluminense a fundo, eu confesso pra vocês que ele recebeu e tá recebendo muitas homenagens, mas nenhuma delas se iguala a essa do Fluminense. Eu te juro que eu não tô preparado pra isso, tendeu? Isso é uma coisa, pra mim, fora de série.
[MÚSICA]
Chorinho instrumental.
[LOCUÇÃO]
Agora, em novembro de 2023, completam-se 43 anos da partida de Cartola. É curioso como, mesmo depois de quatro décadas, o cantor se mantém vivo e totalmente enraizado na cultura brasileira. Curioso, mas não surpreendente. Cartola foi um dos pioneiros do samba como ritmo e uma das figuras mais importantes de todo o cenário musical. Esse episódio é uma homenagem ao sambista, que fez e faz parte da vida de todas as pessoas envolvidas na produção desse podcast. Aliás, a gente não poderia encerrar de outra forma que não fosse eternizando a letra pela qual ele queria ser lembrado, quando partisse.
[ÁUDIO]
– Diomedes Jr.: Cartola, de todas as músicas que você fez, por qual delas você gostaria de ser lembrado?
– Cartola: Anos e anos depois? “Acontece”.
[MÚSICA]
“Acontece” – Cartola
[LOCUÇÃO]
Vejo você no próximo episódio. Até lá!
[MÚSICA]
Samba instrumental.
[LOCUÇÃO]
O podcast “Samba Enredo Podcast” é um trabalho acadêmico dos alunos da disciplina de Audiojornalismo do terceiro semestre do curso de jornalismo do Mackenzie. Turma 3U11, segundo semestre de 2023. Apresentação: Ana Carolina Maciel; Produção: Ana Carolina Maciel e Felipe Rodrigues; Sonoplastia: Doni Parucci; Orientação: Professor Vanderlei Dias; Realização: NPDA – Núcleo de Produção e Desenvolvimento Acadêmico.
Os áudios utilizados neste episódio são dos canais do YouTube “Derson Rubim Nostalgia”, “Fluminense Football Club”, “Cartola Oficial”, “Jair Rodrigues – Tema”, “Daniel Pontin”, “Gustavo Lopes”, “Aracy de Almeida – Tema”, “Luciano Hortêncio”, “Arthur Machado”, “EisseCatherine”, “Junior Sousa”, “selecaobrasileirafut”, “Forró Chapéu de Palha – Tema”, “Guia de Mídia do Brasil” e “AndréDoBanjo”, além do trecho de Conversa com Bial com Paulinho da Viola, retirado do Globo Play.